Porque você, artista, deveria aprender a empreender?

Recentemente publiquei no meu canal do youtube um projeto falando sobre a necessidade de aprender a empreender, e de não ficar dependente do sistema padrão, seja qual for a sua área de atuação.

Pensando especialmente no mercado artístico, que é a área em que eu atuo, já se tornou impraticável ficar esperando o dia em que você terá a oportunidade de fazer um trabalho que te traga visibilidade, na esperança de que “o Plim-Plim” resolva todos os problemas da sua vida.

É nessa hora que muitos acabam me perguntando: “Tinno, o que mais eu posso fazer?”…

Pois é, não sei! rsrsrs…

Veja bem: empreender é descobrir como as suas habilidades e idéias incríveis podem se transformar em projetos, produtos ou serviços, tangíveis ou intangíveis, que colaboraram com a vida de outras pessoas. Você pode empreender o que quiser, mas nada será empreendido se você, antes de qualquer decisão, não tiver clareza daquilo que você pode fazer e onde você pode contribuir.

É por isso que eu não consigo desvincular o empreendedorismo do autoconhecimento. As pessoas estão constantemente se afastando de quem realmente são por falta de “curiosidade sobre elas mesmas”. Ficam alimentando uma autoimagem deturpada e irreal.

O que emprego fixo, trabalhar para os outros, vestir a camisa dos projetos alheios que compensam financeiramente e (para os artistas) fazer um trabalho que te traga visibilidade e fama têm em comum? São  formas de terceirizar a vida.

Sim, pense bem: existe 50% de chance de um dia você perder o emprego, dos outros acharem que você não cabe mais nesta função, o projeto alheio simplesmente tenha que reduzir custos, a mídia mude o foco da moda e você não caiba mais nos TOP HITS. Todas elas se configuram em situações que você não tem o poder de controlar.

Empreender vai além da estabilidade financeira. Tem a ver com “ser feliz sob qualquer condição”, ter liberdade para ir aonde quiser e trabalhar incondicionalmente pelos seus valores. Se decidir realmente embarcar em uma vida empreendedora, você não vai ficar depressivo caso perca seus fãs ou não esteja mais na “boca do povo”. Você, inclusive, aprende que precisa de muito, MAS MUITO MENOS para ser feliz.

Mas nem tudo são flores: empreender requer total dedicação e atenção. 24 horas por dia. E é aí que muita gente desiste. Porque a satisfação e a estabilidade do curto prazo é muito tentadora. Posso dizer por mim: neste ano de 2016 eu decidi que só voltarei a fazer teatro musical se tiver uma oportunidade desafiadora que justifique pausar os meus projetos pessoais. Moral da história: recusei 1 teste e não passei em outros 3.

É óbvio que esta minha decisão me faz tremer as bases. Minha zona de conforto está comprometida, tendo em vista que trabalho com musicais há 10 anos. E posso te dizer que essas negativas me abalam consideravelmente. Minha terapeuta, meu travesseiro e os mais próximos a mim estão de prova.

É nessa hora que outros muitos acabam me perguntando: “Tinno, como você faz para pagar as contas numa hora dessas?”

Esta é sempre uma resposta nebulosa e prefiro dedicar um post só pra ela. Mas já posso te dar um spoiler: não tenho uma cartilha e nem uma fórmula do sucesso, assim como não sei te dizer o que empreender. O máximo que posso fazer é compartilhar a minha experiência e te inspirar a buscar as respostas dentro de você.

Parafraseando o sábio gato do Alice no País das Maravilhas: “Se você não sabe qual caminho quer seguir, qualquer caminho vale”. Ou seja, se você não sabe o que pode (e o que quer) fazer, qualquer coisa vale.

Talvez um dos únicos conselhos que me sinto a vontade de te dar neste momento, é que suas experiências de vida já são suficientes para você realizar algo.

Não desmereço o valor dos trabalhos tradicionais, ok?! Que bom que eles existem! Aliás, mais da metade do dinheiro que já ganhei na minha vida foi como contratado e prestador de serviços, e mesmo quando os meus empreendimentos estiverem me trazendo uma renda suficiente para viver, não deixarei de audicionar e trabalhar com outras pessoas e produtores. Mas não posso deixar de dizer que sim, viver só do sistema padrão é (pra mim) limitado e ficar esperando a aceitação dos que estão no topo da hierarquia corporativista é (pra mim) um tormento.

Sigamos! Com paciencia y fé!