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Você conhece a ‘Síndrome de Futurismo’?

Quem sofre de Futurismo raramente está antenado no momento presente. Está sempre com milhares de prospectos inacabados, nunca está satisfeito com os resultados e sempre imagina (e vive) um mundo lindo que ainda não existe.

Uma pessoa com Síndrome de Futurismo é evidentemente ansiosa, desenvolve inquietações diversas e está sempre se comparando com outras pessoas que, ao seu ver, são melhores que ela em algum aspecto.

Outro dado muito curioso desta síndrome é que a pessoa dificilmente consegue conquistar aquilo que sonha, pois, seus sonhos são completamente voláteis e mudam o tempo todo.

Um tipo de discurso muito comum da pessoa com Síndrome de Futurismo é aquele que se inicia com “quando”: “Quando eu for assim, ou quando eu conseguir tal coisa, ou quando as pessoas gostarem do que eu faço, ou quando conseguir fazer aquela viagem, ou quando eu fizer aquele personagem… aí sim minha vida estará completa”.

Pessoas que sofrem de Futurismo estão boa parte do tempo fazendo planos. São excelentes em organizar e criar metas infalíveis. Estas pessoas também têm um grande potencial em programar agendas e planilhas. Mas apesar de serem excelentes no planejamento, são péssimas na execução. O planejamento está geralmente baseado na projeção do que esta pessoa sonha ser ou ter, e não baseado no que a pessoa de fato é ou tem.

Ainda sobre a dificuldade de executar: como a pessoa com Síndrome de Futurismo está sempre vivendo à frente do seu tempo, ele acaba se sentindo aquém da sua capacidade de fazer alguma coisa no presente. Prefere, então, esperar o dia em que será aquilo que ele projeta ser, para poder fazer algo acontecer. Enquanto espera, esconde-se, com medo de se expor demais ou de ser criticado por alguém.

Pessoas com Síndrome de Futurismo são intolerantes à realidade. Muitas vezes fogem do espelho. Fazem de tudo para esconder suas imperfeições e se entorpecem por horas imaginando sua imagem perfeita, linda, esbelta, amada, valiosa, famosa, inteligente e bem-sucedida.

Acredito que o grande problema do Futurismo está no longo prazo:  tenho a impressão de que em pessoas mais velhas, a síndrome pode atrair altos índices de indignação, arrependimentos, frustrações e até depressão. Há uma probabilidade de ficarem remoendo tudo aquilo que não conseguiram conquistar, de enaltecerem todas as boas oportunidades que desperdiçaram…. Podem se tornar pessoas amargas e rancorosas.

Mas, a pessoa que se identificar com os sintomas acima não deve temer: a cura para o Futurismo está no próprio Futurismo! O tratamento é baseado na mudança de perspectiva, em como você se relaciona com os seus desejos e sonhos de futuro. E como eu me descobri com a síndrome, vou compartilhar aqui o que eu estou fazendo para me tratar.

Vale dizer que não há um tratamento padrão. Você terá que descobrir por si só quais serão os itens do seu tratamento. Mas se lhe for útil, fique à vontade para tentar usar o meu tratamento como ponta pé inicial:

  1. Observando com mais empatia o presente;
  2. Relacionando os meus projetos com o que está ao meu alcance agora para realizá-los. Desta maneira, evito perder tempo com projetos que neste momento não tenho condições de realizar.
  3. Para evitar o sentimento de conformismo que o item 2 pode me gerar, pego os “projetos não possíveis para o momento” e os transformo em “projetos desejáveis”. Guardo-os com muito carinho em uma pasta para que eu possa revisitá-los em momentos oportunos;
  4. Jogo fora projetos defasados, que já não fazem mais sentido ou me desviam do meu propósito mais pulsante (de bandeja, trabalho o desapego);
  5. Estou praticando não me comparar com ninguém e nem me projetar em alguém. Esta prática já alivia bastante a minha ansiedade;
  6. Tenho evitado atalhos de qualquer natureza. Por exemplo, deixei as suplementações de lado e decidi reaprender a comer comida de verdade de forma saudável, equilibrada e não restritiva (caso te interesse, estou arquivando este meu processo em uma web série no meu canal do youtube. Veja mais aqui!);
  7. Estou desvendando os significados agregados aos meus projetos. Se o projeto só trará benefícios para mim, simplesmente o desconsidero. Se o projeto trará benefícios para mim e pode ser compartilhado com outras pessoas, o mantenho;
  8. Evito reclamar e luto para eliminar por completo o sentimento de vitimização;
  9. Me olho no espelho e repito: “Você já tem tudo o que precisa e já é bom o suficiente para realizar qualquer coisa na sua vida”;
  10. Coleto sonhos e arquivo todos em uma to do list reservada no meu celular. Tento revisitá-los com parcimônia para evitar ficar apegado a eles, ou construir falsas expectativas;